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Semana do Meio Ambiente

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icon calendar 08/06/2020
Semana do Meio Ambiente

Tudo está interligado em nossa Casa Comum. Quando falamos da necessidade de manter um mínimo de floresta em pé…

O que celebramos quando marcamos a Semana do Meio Ambiente?

Quando falamos da necessidade de manter um mínimo de floresta em pé, para garantir nosso suprimento de água, falamos de Meio Ambiente. Quando lembramos que a morte das abelhas pode ter consequências desastrosas, através da perda dos serviços ecossistêmicos de polinização que elas prestam, falamos de Meio Ambiente. Quando levantamos questões sobre a relação do Coronavírus com o desmatamento e o comércio de espécies selvagens, falamos de Meio Ambiente. E é por isso que celebrar o Meio Ambiente é pouco. Muito pouco.

Meio Ambiente quer dizer aquilo que está ao nosso redor, como um cenário de fundo, ao qual presto atenção quando minha sobrevivência está ameaçada. Nossas leis e preocupações sobre o Meio Ambiente refletem a lógica: qual o máximo que posso extrair antes de ter problemas? Qual o mínimo de cuidado necessário para que a minha vida não seja ameaçada? É assim com as mudanças climáticas (qual a emissão que posso manter para não chegar no ponto limite de caos climático?), é assim com a extinção de espécies (quando discutida, lembramos dessas espécies cujos “serviços” nos parecem mais indispensáveis) e também com o desmatamento – fazemos cálculos, tentando chegar ao mínimo possível que seria necessário para que a vida humana, como ela é (e olha que a situação atual não está muito boa, com secas, fomes, desigualdade, pobreza ambiental…) se mantenha.

Como seria celebrar a Semana da Vida? Ou a Semana das Vidas Interligadas? Quais perguntas estaríamos nos fazendo se o nosso foco fosse celebrar a comunhão com todos os outros seres, a “reciprocidade restaurativa” que traz a apreciação por todos os presentes que recebemos diariamente e pela responsabilidade que vem com esses presentes, como propõe Robin Wall Kimmerer? Se pudéssemos de fato perceber, a cada dia, o milagre que é a existência das plantas, que criam vida a partir do Sol, e o milagre que existe em cada um de nós, criando vida a partir das plantas? E se percebemos que não só nossa vida física está interligada as outras vidas ao nosso redor, mas nossa própria capacidade de criar sentido e significado também está, primordialmente, conectada ao fato de que somos animais nessa rede viva? Perceber que nossa linguagem se iniciou com os sons da natureza; que respiramos o ar que outros seres vivos excretam (e que usam, por sua vez, aquilo que nós devolvemos); que nosso componente celular da energia, a mitocôndria, surgiu a partir de um processo de endossimbiose? Ou que mais de 90% das células em nosso corpo não são humanas, mas fazem parte da comunidade de fungos, bactérias e vírus que nos permitem funcionar como organismo?

Talvez então estaríamos nos perguntando: como posso viver de forma a retornar ao máximo a generosidade que percebo ao meu redor? Qual é o mínimo que preciso consumir para viver uma vida saudável e abundante em significado? Quais sistemas ou formas de bem viver me permitem sentir viva, conectada aos outros seres vivos (e não ameaçada constantemente pelas possíveis faltas)? Como posso reagir ao sofrimento que sinto quando meus irmãos, humanos ou não, são privados dessa mesma dignidade?

Assim, não precisaríamos de uma Semana para celebrar – viveríamos sempre atentos às diversas formas de reverência e celebração disponíveis para nós todos os dias, a cada escolha que fazemos.

  • Fernanda Vidal

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  1. Ótimo texto!
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