Animal não humano: presente! Reflexões sobre a educação e a relação entre o animal humano e não humano

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icon calendar 19/10/2020
Animal não humano: presente! Reflexões sobre a educação e a relação entre o animal humano e não humano

O Guia – Animal não humano: presente! Reflexões sobre a educação e sua relação com os animais humanos e não humanos, publicado pelo Ministério Público de Minas Gerais, no dia 22 de setembro de 2020, por meio de sua Coordenadoria Estadual de Defesa da Fauna, está dentro daquelas lições que não sabemos, não queremos saber e “torcemos o nariz” para quem sabe. É o tipo do assunto que a sociedade não considera relevante, a mídia não costuma colocar na pauta, os governantes se esquivam em legislar, a teologia e a filosofia silenciam e o currículo escolar o ignora.

O animal está presente nas nossas casas, nos filmes e em nossas vidas. Disso ninguém duvida! A pergunta que faço é: como ele está presente? Como o representamos? Quais tradições e culturas perpetuamos?  

O ser humano, pelo bem ou pelo mal, revisita sua condição de centro do universo e é obrigado a considerar outros princípios, como a interdependência entre humanos, não humanos e a natureza. Para isso, precisamos entender a expressão animais humanos e não humanos. Entraremos na conversa com as credenciais de que somos todos animais – do Reino: Animalia; Filo: Chordata; Classe: Mamíferos; Ordem: Primatas; Família: Hominidae; Gênero: Homo; Espécie: Sapiens. Esta ideia já nos enquadra e denuncia que de forma indevida nos posicionamos acima e fora ocupando de forma totalitária e abusiva toda a paisagem.

Sempre falamos de respeito ou amor aos animais, mas sabemos que nosso raio de compaixão é curto e não abrange todos. O Guia tem como ponto de partida esse animal “quase gente” que está no sofá ou dorme em nossa cama. Se eles pudessem falar quando olham para nós, o que teriam para nos dizer e ensinar em relação à defesa dos seus irmãos, os “outros” animais não humanos? O olhar amoroso e leal do animal próximo de nós é a luz que ilumina a escuridão ou a janela que temos, para vermos e ouvirmos os gemidos e lamentos que vêm das gaiolas, das cercas, das caixas, dos becos insalubres, dos zoológicos, do pantanal em chamas, dos parques temáticos, dos confinamentos, das baias, dos galpões, dos aquários e de tantos outros espaços onde o animal não humano se encontra como objeto de nosso interesse ou prazer.

A escola faz amiúde aquilo que a humanidade vem fazendo com os animais silvestres, com os rios, com as florestas e com os oceanos. Prevalece entre nós a lógica da gaiola, da jaula, do confinamento, da não liberdade, da submissão aos interesses do outro maior e mais forte. Definitivamente, precisamos inventar formas de entretenimento que não sejam à custa do outro, animal não humano. Escola é lugar onde se ensinam coisas que se espera sejam boas, exemplares e condizentes com o hoje e o amanhã das pessoas e da coletividade na relação consigo, com os outros, com a natureza e com os animais.

Não se pode perder de vista o currículo oculto, poderosamente ativado, junto com a rifa de calopsita; a pescaria de saquinhos com peixes vivos; passarinhos e pintinhos como prêmio; cavalos amarrados em carroças; pega leitão; passeios com lhama, burrinhos para passeios, entre outras iniciativas. Não é possível conjugar educação, harmonia e beleza com correias, gaiolas, amarras, chicotes, abusos e exploração.

É nessas iniciativas que acontecem aqui e acolá, ao longo da escolarização básica, muitas vezes com o apoio da família, que se desencadeia o processo de naturalização do uso do animal como objeto. Sem que percebam, os educadores contribuem para o atraso da consciência animal das crianças e jovens. Infelizmente, algumas crianças e jovens despertaram a consciência animal apesar da escola.

Os educadores, sejam professores ou pais, políticos, magistrados e todos que estão em algum posto de decisão em relação à vida dos animais não humanos, deveriam se perguntar: nós precisamos? Os animais merecem? É dispensável? Ensina o quê? Para onde este modelo está nos levando? Sempre foi assim ou queremos que seja assim?

Como adultos, pais, mães, educadores, mesmo com todas as dificuldades, podemos dar início a grandes mudanças. Nosso silêncio não é inocente, já que hoje dispomos de informações e de conhecimentos que podem fazer um contraponto à atual situação.

Precisamos ir mais fundo e nos atentarmos ao fato de que o cuidado com os seres humanos não prescinde do cuidado com o planeta e com os animais que nele vivem. Se pensarmos bem, ninguém será capaz de resolver todos os problemas que nos afligem. Somos habitantes e companheiros de jornada de um mesmo habitat compartilhado – daí sermos terráqueos, pois não somos indiferentes a nada que se refere ao planeta Terra, nossa “casa comum”, seus ecossistemas, as pessoas e os animais.

Como humanidade, pensando em um longo processo civilizatório, não deveríamos libertar apenas alguns. Benditos os pés daqueles que dedicam parte de suas vidas para o melhoramento de algo, nem que seja da própria rua! As bandeiras estão disponíveis para que cada um pegue a sua.

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